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Brasileiros nos Emirados: empresária desmistifica vida no país e revela o que ninguém conta sobre recomeçar no destino dos sonhos

A empresária fala sobre segurança, custo de vida, oportunidades e os desafios de recomeçar em Dubai e nos Emirados Árabes Unidos.

Fernanda Lo Re compartilha a experiência de viver há 10 anos nos Emirados Árabes Unidos e esclarece os principais mitos sobre o país. - Reprodução Instagram
Fernanda Lo Re compartilha a experiência de viver há 10 anos nos Emirados Árabes Unidos e esclarece os principais mitos sobre o país. - Reprodução Instagram
Brenno

por Brenno

Publicado em 23/07/2026, às 16h25

Há 10 anos vivendo nos Emirados Árabes Unidos, a empresária brasileira Fernanda Lo Re explica como é a rotina no país, fala sobre segurança, custos, oportunidades e os principais mitos enfrentados por quem sonha em começar uma nova vida na região.

Os Emirados Árabes Unidos têm atraído cada vez mais brasileiros em busca de segurança, qualidade de vida e oportunidades de negócios. Mas, junto com o interesse crescente pelo país, também surgem dúvidas e uma série de mitos sobre como é, de fato, viver na região.

Morando nos Emirados Árabes Unidos há uma década, a empresária brasileira Fernanda Lo Re acompanha de perto essas dúvidas e afirma que a realidade costuma ser bastante diferente da imagem construída por muitas pessoas. Entre os questionamentos mais frequentes estão a liberdade das mulheres, o custo para recomeçar a vida, as diferenças culturais e o ambiente de negócios.

Segundo ela, um dos maiores equívocos é imaginar que as mulheres tenham pouca liberdade no país.

“Existe uma ideia de que as mulheres vivem com pouca liberdade, mas a minha experiência é justamente o contrário. Eu me visto como quero, trabalho normalmente, tenho autonomia e sou extremamente respeitada, até mais do que no Brasil”, afirma.

Outro mito recorrente, de acordo com Fernanda, envolve o universo dos negócios.

“Muita gente acredita que os Emirados são um ‘caixa eletrônico do mundo’, onde basta chegar para conseguir investimentos. Existe capital, claro, mas os investidores querem projetos que gerem valor para o país. Não é tão simples quanto muitos imaginam.”

Ela também desmistifica outra crença bastante difundida nas redes sociais: a suposta proximidade de empresários com integrantes da família real.

“Existe essa ideia de que todo mundo conhece um sheikh. Isso é um mito. Eles ocupam uma posição muito protegida e não mantêm esse tipo de relação próxima que tantas pessoas costumam dizer.”

Fernanda destaca ainda um dado que ajuda a explicar a receptividade aos estrangeiros. Atualmente, cerca de 88,5% da população dos Emirados Árabes Unidos é formada por expatriados, enquanto apenas 11,5% são cidadãos emiratis. Na prática, quem chega de fora passa a fazer parte da maioria da população, o que torna o processo de adaptação muito mais natural do que muitos imaginam.

Segurança chama a atenção de quem chega

Se existe um aspecto que mais impressiona a empresária, é a sensação de segurança.

Segundo ela, essa é, inclusive, a principal dúvida de mulheres interessadas em viver no país.

“Aqui eu caminho sozinha de dia ou de noite, em qualquer região, sem aquela preocupação constante que muitas mulheres enfrentam no Brasil. A segurança deixa de ser uma preocupação permanente e passa a fazer parte da rotina.”

A percepção também é confirmada por rankings internacionais. Em 2025, os Emirados Árabes Unidos lideraram o Índice de Segurança do Numbeo, enquanto cidades como Abu Dhabi e Dubai aparecem entre as cidades mais seguras do mundo.

Quanto custa recomeçar?

Apesar das oportunidades, Fernanda faz um alerta: mudar de país exige planejamento financeiro.

Segundo ela, o aluguel de um apartamento com um quarto varia entre AED 4.800 (cerca de R$ 6,7 mil) e AED 8.000 (aproximadamente R$ 11,2 mil) por mês, dependendo da localização.

Além do aluguel, é comum que o pagamento seja feito antecipadamente, muitas vezes de forma anual. Também entram na conta despesas como depósito, taxa da imobiliária e ativação de serviços como água, energia e internet, que podem representar um investimento inicial entre AED 3.500 e AED 4.000 (cerca de R$ 4,9 mil a R$ 5,6 mil).

Os gastos mensais de uma pessoa solteira giram em torno de AED 4.000 (aproximadamente R$ 5,6 mil), considerando alimentação, transporte, lazer e plano de saúde. Já para uma família, o custo mensal pode variar entre AED 20 mil e AED 30 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 28 mil a R$ 42 mil, incluindo escola, carro e seguro-saúde.

Entre os custos mais subestimados pelos brasileiros, ela destaca justamente o processo de instalação no país.

“Muita gente não considera o investimento necessário para abrir uma empresa, emitir vistos, pagar licenças e cumprir todas as etapas burocráticas. Além disso, é preciso entender que recomeçar leva tempo. Não acontece da noite para o dia.”

Leis e costumes exigem atenção

Antes de embarcar, conhecer a legislação local é essencial.

Fernanda explica que bebidas alcoólicas só podem ser consumidas em locais licenciados e que estar alcoolizado em vias públicas pode gerar problemas com a Justiça.

Outro cuidado importante é evitar fotografar pessoas sem autorização, especialmente mulheres locais. Demonstrações públicas de afeto também devem ser discretas.

Ela lembra ainda que os Emirados mantêm tolerância zero para drogas e possuem leis rigorosas relacionadas à religião, ao governo e ao comportamento nas redes sociais.

O primeiro passo para quem sonha em morar nos Emirados

Na avaliação da empresária, o maior erro de quem deseja viver no país é acreditar que o primeiro passo seja resolver questões burocráticas.

“O visto, a passagem e o apartamento vêm depois. Antes de tudo, é preciso entender por que você quer vir para cá e o que significa dar certo para você. Quando existe clareza de propósito, planejamento e coragem, a mudança deixa de ser apenas um sonho e passa a ser um verdadeiro recomeço.”

Após dez anos vivendo nos Emirados Árabes Unidos, Fernanda acredita que o país oferece oportunidades para quem chega preparado e disposto a compreender sua cultura. Para ela, mais do que mudar de endereço, recomeçar em outro país exige propósito, planejamento e disposição para construir uma nova trajetória.