O Brasil é um dos poucos países que produz a maioria dos minerais críticos necessários para a transição energética global, analisa Isadora Coimbra

por Isadora Coimbra
Publicado em 20/04/2026, às 11h20
A transição para uma economia de baixo carbono exige um aumento significativo na extração de minerais críticos, como lítio e cobalto, essenciais para tecnologias de energia limpa, o que representa um desafio e uma oportunidade para o setor mineral.
Entre 2017 e 2022, a demanda global por lítio triplicou, e a oferta de minerais precisará crescer entre cinco e seis vezes nas próximas décadas para atender às necessidades energéticas futuras.
O Brasil, que possui vastas reservas de minerais críticos, está se posicionando para liderar essa transição, mas precisa desenvolver uma maior convicção e estratégia para aproveitar seu potencial geológico e técnico.
Existe uma ironia raramente discutida nas grandes conferências climáticas: para livrar o mundo dos combustíveis fósseis, precisamos cavar mais fundo no subsolo do que qualquer geração antes de nós. Não para extrair petróleo. Para encontrar os minerais que vão alimentar a civilização de baixo carbono. Lítio, cobre, níquel, cobalto, terras raras. Sem eles, não existe bateria de carro elétrico, não gira turbina eólica, não funciona painel solar.
Os números não deixam margem para dúvida. Em apenas cinco anos (entre 2017 e 2022), a demanda global por lítio triplicou. A de cobalto saltou 70%. A de níquel cresceu 40%. E a projeção é que a oferta global de minerais precisará crescer entre cinco e seis vezes nas próximas décadas para dar conta do novo cenário energético. O mundo que prometemos nas mesas de negociação climática só existirá se a mineração estiver à altura do desafio.
Nenhum banco de investimento com credibilidade, nenhum fundo soberano, nenhum governo com visão de longo prazo ignora mais esse dado. O Goldman Sachs classificou os minerais críticos como a próxima grande classe de ativos estratégicos. O JPMorgan vem reiterando posição comprada em metais ligados à transição energética. A corrida já começou. E o Brasil ainda está aprendendo a correr.
"Quem controlar os minerais críticos nas próximas décadas terá nas mãos o que o petróleo representou no século XX."
O Brasil ocupa posição privilegiada nessa corrida. Somos um dos poucos países no mundo que produz 13 dos 17 minerais críticos demandados pelas principais fontes de energia limpa. Temos a maior reserva mundial de nióbio. Estamos entre os maiores detentores de grafita, terras raras, níquel, manganês, bauxita e lítio. O subsolo brasileiro é, literalmente, um dos maiores ativos estratégicos da humanidade no século XXI.
Na Odora Minerals, trabalhamos exatamente nessa interseção: estruturamos projetos de mineração que transformam esse potencial geológico em realidade operacional: com técnica, rigor ambiental e visão de longo prazo. Acreditamos que mineração responsável não é contradição em termos. É a única mineração que faz sentido no mundo que estamos construindo.
A transição energética não é uma ameaça para o setor mineral. É o maior convite que já recebemos. E o Brasil tem tudo para liderar essa resposta: geologia abundante, matriz energética renovável, capacidade técnica e humana. O que nos falta, talvez, é a convicção de que este momento é nosso.
A Odora Minerals é uma empresa especializada em estruturação de projetos de mineração, da prospecção ao licenciamento e desenvolvimento operacional, com atuação focada em minerais estratégicos para a economia brasileira e global.
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