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O ouro caiu. E agora? | Por Isadora Coimbra

O metal, que bateu recordes históricos, enfrenta sua pior sequência de quedas do ano. O cenário de longo prazo não mudou

O ouro caiu. E agora? Isadora Coimbra
O ouro caiu. E agora? Isadora Coimbra - Boost Assessoria de Imprensa
Isadora Coimbra

por Isadora Coimbra

Publicado em 17/04/2026, às 11h48 - Atualizado em 20/04/2026, às 11h48

O preço do ouro caiu mais de 5% em uma semana, recuando para US$ 4.560 por onça, após ter alcançado um pico histórico em janeiro de 2026, o que gerou preocupações sobre o fim de um ciclo de alta no mercado de commodities.

A queda foi impulsionada pela postura agressiva dos principais bancos centrais, que sinalizaram a manutenção das taxas de juros elevadas, em um cenário de inflação pressionada, especialmente devido ao aumento dos preços do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio.

Apesar da recente volatilidade, analistas projetam que o preço do ouro pode atingir entre US$ 6.000 e US$ 8.375 por onça até o final do ano, enquanto o Brasil se destaca com um aumento de 72% nas exportações de ouro não monetário, consolidando sua posição no mercado global.

Foi uma semana dura para o ouro. O metal precioso, que havia tocado a marca histórica de US$ 5.595 por onça em janeiro de 2026, despencou mais de 5% em poucos dias, acumulando sete sessões consecutivas de queda e recuando para a faixa de US$ 4.560 por onça. Para quem acompanha o mercado de commodities, o movimento não foi surpresa. Para quem não acompanha, pode parecer o fim de um ciclo. Não é.

O gatilho foi uma onda coordenada de postura agressiva dos principais bancos centrais do mundo. O Federal Reserve manteve os juros inalterados, mas sinalizou que cortes estão cada vez mais distantes, possivelmente só em 2027. O Banco Central Europeu, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra seguiram o mesmo roteiro: sem afrouxamento à vista, com inflação ainda pressionada pelo petróleo acima de US$ 100 o barril, em parte reflexo da escalada do conflito no Oriente Médio.

Por que juros altos pesam sobre o ouro?

A mecânica é direta: o ouro não paga juros nem dividendos. Quando os rendimentos de títulos do governo sobem, o custo de oportunidade de carregar o metal precioso aumenta. Investidores institucionais e algoritmos de trading migram para ativos que remuneram mais. Esse movimento explica a maior parte da volatilidade recente. E não é o primeiro ciclo desse tipo que o ouro atravessa.

Mas há uma perspectiva importante que os titulares de queda costumam omitir: mesmo após a correção, o ouro ainda acumula alta expressiva no ano. Quem comprou no início de 2026 está no lucro. E as projeções de analistas para o final do ano variam entre US$ 6.000 e US$ 8.375 por onça, acima do pico histórico de janeiro.

O que os grandes bancos estão dizendo

O JPMorgan mantém visão estruturalmente positiva para o ouro no médio prazo, citando a combinação de instabilidade geopolítica, demanda de bancos centrais e a limitação física de nova oferta. O Goldman Sachs aponta que, em cenários de escalada de conflitos ou de retorno de pressões inflacionárias, o ouro tende a ser um dos primeiros ativos a se recuperar.

Os bancos centrais ao redor do mundo compraram 230 toneladas de ouro apenas no quarto trimestre de 2025. Um sinal claro de quem está posicionado para o longo prazo. Para quem estrutura projetos de mineração, como fazemos na Odora Minerals, momentos como este são lidos com calma. Quedas de curto prazo são parte do ciclo. A tese fundamental (escassez crescente, demanda estrutural e custo de produção elevado) não se altera em sete sessões de queda. O que muda é o preço de entrada para quem ainda não está posicionado.

O Brasil e o ouro: um mercado em expansão

As exportações brasileiras de ouro não monetário subiram 72% em fevereiro de 2026, chegando a US$ 700 milhões. Minas Gerais registrou crescimento de 82,7% nas receitas com o metal nos primeiros dois meses do ano. O Brasil segue como um dos players mais relevantes do mercado global de ouro. A volatilidade de curto prazo não muda essa equação estrutural. O subsolo entrega. O que o mercado financeiro faz com isso, em cada sessão, é outra história.