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O Brasil extrai o mineral. O mundo lucra com ele - Por Isadora Coimbra, da Odora Minerals

A Odora Minerals se destaca ao estruturar projetos de mineração que priorizam o beneficiamento local e a criação de valor no Brasil.

Isadora Coimbra - Odora Minerals
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Isadora Coimbra

por Isadora Coimbra

Publicado em 03/04/2026, às 14h10

O Brasil continua a exportar minério bruto, resultando em perda de valor agregado que poderia ser gerado localmente, como empregos e tecnologia, uma escolha que perpetua um problema estrutural no país. A Odora Minerals busca mudar essa realidade ao estruturar projetos de mineração com foco no beneficiamento local.

O beneficiamento de minerais, como a transformação de espodumênio em hidróxido de lítio, pode aumentar seu valor em até 50 vezes, mas atualmente, a maior parte desse valor é perdida para o exterior. O acordo recente entre Goiás e os Estados Unidos enfatiza a necessidade de processar minerais localmente, em vez de apenas exportá-los.

A Odora Minerals propõe uma abordagem que integra o beneficiamento desde o início dos projetos, desenvolvendo parcerias industriais antes da operação das minas. Essa estratégia visa transformar o Brasil de um mero fornecedor de matéria-prima em uma potência industrial, exigindo um novo modelo de parceria nas negociações internacionais.

Enquanto o país exporta minério bruto, a diferença de valor entre o que sai pelo porto e o que volta em produto industrializado financia indústrias de outros continentes. Isso não é destino. É escolha.

Existe uma frase que me acompanha desde que comecei a trabalhar com mineração: desde o descobrimento, o Brasil exporta suas riquezas naturais sem agregar valor. Ela foi dita pelo secretário-geral do governo de Goiás na semana em que o estado assinou seu histórico acordo com os Estados Unidos sobre minerais críticos. E ela resume, com precisão cruel, o problema estrutural mais antigo do Brasil.

Nós temos o mineral. Nós extraímos o mineral. Nós colocamos no navio. E o valor que poderia ter sido criado aqui, em empregos qualificados, em tecnologia, em impostos, em indústria, vai embora com ele.

Isso não é fatalidade. É escolha. E é exatamente essa escolha que a Odora Minerals decidiu fazer de forma diferente desde o primeiro dia.

"Exportar minério bruto quando se tem capacidade de processar, refinar e industrializar é como colher trigo e vender palha. O mundo inteiro quer nosso subsolo. A questão é: quanto do valor nós vamos ficar?", questiona Isadora Coimbra.

O que significa realmente beneficiar um mineral

Beneficiamento é a transformação do minério bruto em produto de maior valor agregado. Para o lítio, significa passar do espodumênio bruto para carbonato ou hidróxido de lítio, insumo direto para a fabricação de baterias. Para as terras raras, significa separar os elementos individuais, como neodímio, disprósio e térbio, e produzir óxidos de alta pureza, ou avançar até os ímãs permanentes que entram nos motores elétricos e nas turbinas eólicas. Para o nióbio, significa produzir ligas especiais de alta performance, em vez de simplesmente exportar ferronióbio.

A diferença de valor entre o mineral bruto e o produto beneficiado pode ser de 5 a 50 vezes. Um quilo de espodumênio bruto vale poucos dólares. Um quilo de hidróxido de lítio para baterias vale dezenas de dólares. Um ímã permanente de terras raras pronto para uso pode valer centenas. Toda essa diferença fica, hoje, do lado de fora do Brasil.

A Odora Minerals e a lógica do valor completo

A Odora Minerals nasceu com um princípio claro: não estruturamos projetos para vender pedra. Estruturamos projetos de mineração com visão de cadeia de valor completa, o que significa, desde o início, pensar em como o mineral vai ser processado, em que mercado vai ser vendido e em que estado de beneficiamento ele vai sair do Brasil.

Isso tem implicações práticas enormes. Significa escolher projetos em que o beneficiamento local é viável. Significa desenvolver parcerias com a indústria compradora antes de a mina entrar em operação. Significa estruturar o licenciamento e o desenho operacional já pensando nas etapas de transformação, não como um plano futuro, mas como parte do projeto original.

Cada projeto que estruturamos é avaliado com essa lente: qual é o produto final que esse mineral pode gerar, qual é a cadeia industrial que o absorve e o que é necessário para que essa cadeia comece dentro do Brasil.

O que o acordo de Goiás com os EUA nos ensina

Quando o governo de Goiás assinou seu Memorando de Entendimento com os Estados Unidos em março de 2026, uma das condições centrais do acordo foi exatamente essa: que os minerais goianos não sejam apenas extraídos, mas processados dentro do estado. A presença de uma refinaria, de uma unidade de separação de terras raras, de uma cadeia que vá até o produto final, isso foi colocado como objetivo explícito da parceria.

Não por acidente. Os americanos sabem que comprar minério bruto resolve um problema de curto prazo, mas cria dependência de longo prazo. O que eles precisam, e o que o Brasil deveria exigir em qualquer negociação, é de um parceiro industrial, não de um fornecedor de matéria-prima.

A diferença entre as duas posições é a diferença entre ser uma colônia do século XXI e ser uma potência industrial do século XXI. A escolha, desta vez, é nossa.

A Odora Minerals é uma empresa especializada em estruturação de projetos de mineração, da prospecção ao licenciamento e desenvolvimento operacional, com atuação focada em minerais estratégicos para a economia brasileira e global.