ISADORA COIMBRA

Julice Rodrigues defende planejamento patrimonial como ferramenta de proteção para famílias e empresas

Advogada destaca que sucessão, governança e prevenção jurídica precisam deixar de ser tratadas apenas em momentos de crise

Julice Rodrigues
Julice Rodrigues - Julice Rodrigues
Isadora Coimbra

por Isadora Coimbra

Publicado em 27/06/2026, às 00h02

Empresas familiares frequentemente adiam decisões sobre sucessão, o que pode prejudicar negócios e relações familiares, segundo a advogada Julice Rodrigues, que defende uma abordagem jurídica preventiva para evitar conflitos futuros.

Muitas famílias ainda veem o planejamento sucessório apenas como uma questão de divisão de bens, mas é essencial entender que se trata de organizar o presente para garantir um futuro seguro e estratégico.

Julice Rodrigues enfatiza a importância de uma governança clara e responsável, e sugere que advogados devem ser envolvidos nas decisões empresariais desde o início, promovendo a prevenção jurídica como forma de preservar patrimônios e relações.

Em muitas empresas familiares, o patrimônio é construído ao longo de décadas, mas as decisões sobre sua continuidade costumam ser adiadas. A sucessão é evitada, os acordos entre familiares permanecem apenas no campo informal e questões jurídicas importantes só entram em pauta quando já existe conflito. Para a advogada Julice Rodrigues, esse comportamento pode comprometer não apenas os negócios, mas também relações familiares, reputações e legados inteiros.

Com uma trajetória consolidada no Direito, Julice Rodrigues tem defendido uma atuação jurídica preventiva, estratégica e humanizada, capaz de antecipar riscos antes que eles se transformem em disputas complexas. À frente do escritório Julice Rodrigues & Advogados Associados, em Uberlândia, ela atua em diferentes frentes do Direito, incluindo Direito do Trabalho, Direito Civil, Direito de Família e Sucessões, planejamento patrimonial e estruturação de holdings familiares.

Segundo a advogada, muitas pessoas ainda associam o planejamento sucessório exclusivamente à morte ou à divisão de bens. No entanto, a discussão precisa ser mais ampla. “Planejar é organizar o presente para proteger o futuro. Quando uma família ou uma empresa entende isso, ela deixa de agir por medo e passa a agir por estratégia”, afirma.

A organização patrimonial, quando conduzida de forma responsável e personalizada, permite que famílias empresárias estabeleçam critérios claros para gestão, sucessão, responsabilidades, entrada de herdeiros no negócio e proteção de ativos. Mais do que uma formalidade jurídica, trata-se de uma decisão de governança.

“Empresas familiares precisam compreender que vínculo afetivo e gestão empresarial não devem ser confundidos. É possível preservar os laços familiares e, ao mesmo tempo, criar regras maduras para que a empresa continue crescendo com segurança”, explica Julice.

Essa visão ganha ainda mais relevância em um cenário no qual negócios de diferentes portes enfrentam desafios relacionados à sucessão de lideranças, à ausência de acordos entre sócios, à falta de planejamento tributário e à vulnerabilidade de patrimônios construídos sem estruturas jurídicas adequadas.

Para Julice Rodrigues, a advocacia contemporânea precisa ocupar uma posição mais próxima da estratégia empresarial. O advogado não deve ser chamado apenas quando existe uma ação judicial, uma separação societária ou um inventário em andamento. Ele precisa participar das decisões que estruturam o futuro.

“A prevenção jurídica é uma das formas mais inteligentes de preservar patrimônio, relações e continuidade. Quando a estrutura está bem organizada, as decisões se tornam menos emocionais e muito mais conscientes”, pontua.

Além da atuação no escritório, Julice reúne experiência como palestrante, ex-professora universitária e Conselheira Seccional da OAB/MG. Sua trajetória também inclui participação em iniciativas voltadas à ética, diversidade, formação jurídica e inovação dentro da advocacia, consolidando uma presença que une conhecimento técnico, visão institucional e proximidade com as transformações da sociedade.

Para ela, falar sobre sucessão e patrimônio não é falar apenas sobre bens. É falar sobre responsabilidade, continuidade e propósito. “Toda história construída com trabalho merece ser protegida. E proteger um legado é também cuidar das pessoas que farão parte dele no futuro.”

Em uma época marcada por mudanças rápidas, relações empresariais mais complexas e novas configurações familiares, Julice Rodrigues reforça uma mensagem essencial: planejamento não é sinal de preocupação excessiva. É um gesto de maturidade.

Porque, no fim, grandes patrimônios não são preservados apenas por aquilo que possuem, mas pela forma como escolhem se preparar para o amanhã.