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O poder do marketing de influência e da publicidade baseada em celebridades

Influenciadores são "selo de confiança" de plataformas por conta da credibilidade - Foto: Reprodução
Influenciadores são "selo de confiança" de plataformas por conta da credibilidade - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 03/06/2025, às 16h34

Logo que se abre o feed, não demora para aparecer um famoso recomendando alguma plataforma de jogo. No Brasil, onde 74% dos internautas seguem pelo menos um criador de conteúdo de grande alcance, a força da influência digital virou ativo estratégico para empresas de todos os setores que disputam cada clique do público.

Usar grafismos tropicais, bônus agressivos e, sobretudo, rostos conhecidos para ganhar credibilidade nos primeiros segundos de atenção do usuário é uma tendência usada por plataformas como a Samba Slots 777 e muitas outras que almejam entrar no mercado brasileiro. Mas as casas de apostas não são as únicas a utilizar essas táticas.

O efeito influencer: Credibilidade que converte

A lógica é simples, mas poderosa. Estudos do IAB Brasil mostram que a chamada “creator economy” já movimenta $300 bilhões de dólares por ano no mundo, com projeção de chegar a $480 bilhões de dólares até 2027. No recorte nacional, 92% dos entrevistados confessam já ter seguido dicas de digital influencers e 82% afirmam ter comprado algo depois de uma recomendação.

Esses números explicam por que o custo por mil impressões (CPM) das postagens patrocinadas mais cobiçadas disparou 38% em 2024, segundo levantamento da Shareablee. Na prática, o carisma da celebridade funciona como selo de confiança instantâneo. Poupa ao apostador a checagem de reputação da empresa e transfere, ainda que implicitamente, parte do “capital social” do ídolo para a marca.

No iGaming, a barreira da confiança é ainda maior. Plataformas operam 100% online, lidam com dinheiro em tempo real e com disputas acirradas por bônus de boas-vindas. Celebridades reduzem esse atrito inicial. Seu rosto familiar diminui a sensação de risco, potencializa curtidas e comentários orgânicos e ainda turbina o ROI das campanhas de aquisição.

Além disso, a concorrência global pressiona, basta olhar para plataformas estrangeiras que desembarcaram recentemente no país com investimentos de mídia superiores a R$200 milhões só em 2024. Diante disso, associar-se a um Ronaldinho ou a um Neymar vale tanto quanto uma rodada grátis, pois converte curiosidade em cadastro.

Casos brasileiros que incendiaram o debate

O ímpeto comercial também levou estrelas do esporte a associarem suas marcas a produtos de iGaming de forma cada vez mais profissional. Em fevereiro de 2024, Ronaldinho Gaúcho passou a estrelar a campanha internacional “Jogue no seu ritmo”, desenvolvida pela FBMDS em parceria com a Planet Invest e a Everplay.

O vídeo mostra o ex-camisa 10 em cenas bem-humoradas que remetem aos seus dribles, enquanto reforça recursos de jogo responsável e a mensagem “divirta-se com moderação”. Neymar Jr. segue ativo no circuito de pôquer. Em dezembro de 2024, foi anfitrião do BSOP One, torneio de buy-in elevado em São Paulo que distribuiu R$4,7 milhões em prêmios.

A presença do atacante ao lado de celebridades como Vintage Culture e Caio Castro viralizou nas redes, reforçando a associação entre entretenimento digital e grandes nomes do esporte, sem recorrer a promessas de ganho fácil nem mensagens de urgência.

Mas nem só de craques vive esse mercado. Influenciadora de alta visibilidade, Viih Tube anunciou em dezembro de 2023 que rescindira o contrato com a mesma Blaze, alegando “ansiedade” depois das queixas de seguidores e de um chamado para depor à polícia.

O caso reforçou a tese de que o público, hoje mais vigilante, cobra dos creators responsabilidade parecida com a de embaixadores de marcas tradicionais. E essa popularidade incomoda parte do Congresso. Em fevereiro de 2024, o senador Eduardo Girão protocolou o PL 3.405/2023, que proíbe celebridades em propaganda de apostas esportivas, sob o argumento de que “a paixão nacional está sob ameaça”.

O Ministério da Fazenda publicou, no mesmo ano, portaria exigindo avisos de jogo responsável e limitando peças que possam atingir menores de idade. O Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) também reforçou que posts patrocinados precisem de hashtags como #publi ou #ad, prática muitas vezes ignorada no calor das lives.

Na visão de especialistas, o Brasil caminha para um modelo parecido ao espanhol, que restringiu patrocinadores de apostas em camisas de times a partir de 2021.

Referencias internacionais e lições para o Brasil

Não faltam exemplos locais, mas o exterior também fornece de sobra casos similares. Drake, rapper de alcance planetário, transformou suas sessões de apostas na plataforma Stake em reality show multimilionário: só na final do Super Bowl 2024 ele divulgou um bilhete de $1,15 milhão de dólares.

E, após a vitória do Kansas City Chiefs, anunciou que distribuiria os mais de $2,3 milhões de dólares ganhos a um fã durante seu show. A repercussão foi tão grande quanto o cheque. Cristiano Ronaldo, por sua vez, tornou-se rosto global da Binance, gravando campanhas sobre NFTs e criptoativos que reiteram como celebridades e produtos financeiros de risco andam de mãos dadas.

Lá fora, o debate regulatório também ferve. No Reino Unido, o Gambling Act passou a exigir que influencers só endossem apostas se puderem provar que mais de 75% de sua audiência tem 25 anos ou mais, uma métrica que, se adotada aqui, tiraria do jogo metade dos microcreators que dominam o TikTok.