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Maria Bopp comenta sobre cenas de nudez como Bruna Surfistinha e revela assédio aos 11 anos

Atriz também contou relação com o tio avô, José de Abreu, e sua trajetória de militância

Maria diz que não fica constrangida com as cenas, mas fica triste pela misoginia
Maria diz que não fica constrangida com as cenas, mas fica triste pela misoginia - Foto/Reprodução

Redação Publicado em 17/05/2021, às 08h39

A atriz Maria Bopp, conhecida como 'Blogueirinha do Fim do Mundo', falou sobre protagonizar cenas de nudez na série 'Me Chama de Bruna', e contou sobre o assédio sofrido quando tinha apenas 11 anos em conversa com O Globo

Exibida inicialmente pela Fox Premium, Maria falou sobre ser conhecida: "Eu tinha muitos seguidores argentinos, chilenos, mexicanos, porque a série foi melhor no resto da América Latina do que no Brasil. Só agora que estreou no Globoplay e na Amazon que bombou por aqui". A roteirista contou também sobre sua relação com o tio avô, José de Abreu, ao dar a notícia da morte de um tio e de sua avó: 

"Minha relação com ele é cada vez mais próxima”, diz. “Agora, quando entrei pra militância, ele sempre fala que morre de orgulho, manda mensagem para mim, para minha mãe". Maria também aproveitou para revelar que a sua militância começou na faculdade e  feminismo chegou com bastante força com hashtags como 'meu primeiro assédio'. Ela revela que foi assediada aos 11 anos quando viajou para a casa de uma amiga no Guarujá: "Na praia, um velho tirou o pênis para fora e mostrou para nós. Ficamos muito assustadas". Outros assédios aconteceram, até mesmo dentro dos sets de filmagem:

"Vários, infelizmente. Como continuísta. Porque, quando você vira atriz, parece que se cria uma hierarquia e as pessoas da equipe já não assediam". Ela diz que, em dada o ocasião, estava de vestido com um computador no colo quando percebeu que um colega estava tentando tirar uma foto de suas pernas. Já em outra ocasião, o responsável pelo foco de uma cena errou e disse ter se desconcentrado por causa do decote da atriz: "Soltou isso alto, e todo mundo riu". Na época da pré hashtag 'me too' (eu também), ela não tirou satisfação:

"Esses movimentos vieram também para esses homens aprenderem. Muitos podem no fundo ter ódio das feministas, mas acho que alguns aprenderam, sim", garante. Em 2015, Maria foi sondada para interpretar Bruna Surfistinha e passou de contituísta envegonhada para protagonista da série. Ela lamenta as cenas de nudez usadas para ser atacada: "Não fico constrangida, mas acho triste pela misoginia". Ela diz que seu dilema, quando foi chamada para o papel, não era a nudez: "Estava apreensiva porque, querendo ou não, ia ser vista como uma série com cenas de sexo para o público masculino se deliciar. E tinha medo de glamourizar a prostituição."

Ela prosseguiu: "Mas eu resolvi esse dilema fazendo a série. Também amadureci e entendo que as coisas não são excludentes. A gente tende a ver as coisas de forma binária: ou você é prostituta ou você é feminista, os dois não dá. Às vezes dá", completou.

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