“Uma mulher flertou comigo e algo despertou”, disse a ex-aeromoça do “BBB 15”

Redação Publicado em 03/10/2026, às 04h00
A ex-aeromoça Talita Araujo, de 34 anos, que participou do “BBB 15”, contou que demorou para assumir que era lésbica por conta da família, que era extremamente religiosa e condenava sua orientação sexual.
Em entrevista à Quem, a ex-BBB explicou que passou anos “reprimindo seus sentimentos”, embora tenha entendido que era homossexual desde muito cedo.
“Eu me entendi como homossexual muito cedo, mas saí do armário relativamente tarde. Cresci em uma família extremamente religiosa e, desde criança, fui ensinada que esses pensamentos e sentimentos eram algo errado, até mesmo associados ao ‘diabo’”, revelou.
Ela acrescentou: “Aprendi a bloquear tudo isso e segui a vida que eu entendia que era a correta e a esperada de mim. Tive relacionamentos heterossexuais, construí uma vida dentro desse padrão e tentei me convencer de que estava tudo bem”, continuou.
Recém-casada com a produtora britânica Isla Wolfe, de 30 anos, Talita tentou levar uma vida hetero e teve relacionamentos saudáveis.
“Por volta dos 30 anos, comecei a perceber que existia alguma coisa dentro de mim que eu precisava entender. Na época, eu estava em um relacionamento heterossexual muito saudável, com uma pessoa maravilhosa, que inclusive me apoiou muito nesse processo. Mas eu sentia que faltava alguma coisa”, ressaltou.
Talita disse que tudo mudou após um flerte que recebeu de uma mulher durante o trabalho.
“Um dia, enquanto trabalhava em um bar, uma mulher flertou comigo e aquilo despertou algo muito forte em mim. Passei dias pensando naquilo, sem conseguir dormir, me perguntando: ‘Será que é isso que está faltando?’ Com muita conversa e transparência com meu parceiro, decidi que precisava explorar esse sentimento e foi quando tive a confirmação de que aquilo realmente fazia parte de quem eu era”, lembrou.
A descoberta, apesar de libertadora, marcou o início de uma época turbulenta na qual Talita precisou de atendimento médico, teve que lidar com a negação por parte da família, a solidão, exaustão emocional, julgamentos e a sensação de que havia falhado com o mundo.
Os amigos, segundo ela, foram muito importantes em sua recuperação. “Foi justamente nesse momento que meus amigos foram tão importantes. Eles me ajudaram a enxergar novamente o meu valor e a recuperar a minha força. Aos poucos, eu consegui olhar para mim e dizer: ‘Essa sou eu. Eu mereço ser feliz’”, explicou.
Talita finalizou. “Não gostaria que ninguém precisasse passar pelo sofrimento que passei para conseguir se aceitar. Por isso, se alguém estiver vivendo algo parecido, eu gostaria que soubesse que não está sozinha, que não há nada de errado em ser quem você é e que você merece ser acolhida e feliz”, completou.
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