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Daniella Ribeiro diz que foi vítima de violência doméstica: “Sufocada por travesseiro”

Senadora do PP-PB falou sobre relacionamento abusivo

Senadora Daniella Ribeiro falou sobre episódios de violência doméstica
Senadora Daniella Ribeiro falou sobre episódios de violência doméstica - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Redação Publicado em 24/04/2026, às 10h04

A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), de 54 anos, contou que foi vítima de violência doméstica por seis anos ao engatar um relacionamento tóxico que afetou sua vida pessoal e quase acabou com sua carreira política.

Em entrevista à Marie Claire, a primeira mulher eleita senadora pela Paraíba contou que o ex-companheiro não permitia que ela viajasse sozinha ou mantivesse interações profissionais com homens.

“Certamente eu não teria chegado ao Senado se ainda estivesse com ele. Ele chegou a me convencer de que eu deveria deixar a vida política, dizendo que poderia me sustentar”, disse.



Daniella contou que quase cedeu ao pedido, mas que o filho mais velho a ajudou a pensar no assunto da maneira correta: “Ele disse: ‘Você sempre foi apaixonada por política, construiu sua trajetória, conquistou seu espaço. E agora quer abrir mão disso?’. Foi nesse momento que parei para refletir sobre o que estava acontecendo”, revelou.

A senadora engatou o romance tóxico após o término de um casamento saudável que durou 21 anos. “Eu era a presa perfeita. O agressor vai isolando você de todos, até que perca a própria identidade. Você vai tentando se ajustar, quer que tudo esteja bem. Chega ao ponto de acreditar quando ele diz que você está louca”, lembrou.

A política contou que era monitorada e que chegou a fazer uma tatuagem com o nome do então namorado para conseguir sair com as amigas. “Um dia, ele me ligou perguntando onde eu estava. Respondi que estava saindo de um edifício no centro. Ele disse o nome de um lugar específico, completamente correto. Percebi que estava sendo monitorada”, contou.

A tatuagem, segundo ela, ajudou o namorado a ficar seguro. “Ele se sentiu seguro e disse que eu podia ir. Foi uma marca, como se eu fosse uma posse”, ressaltou.

Agressões físicas e libertação

A relação que já era tóxica chegou ao extremo quando começaram as agressões físicas. Daniella contou que chegou a ser sufocada por um travesseiro. “Muitas vezes, estava debaixo de um travesseiro, sendo sufocada. E a pessoa que fazia isso comigo era um mestre em ser socialmente agradável”, revelou.

A senadora disse que o ex-companheiro foi minando todas as áreas de sua vida, e que demorou a perceber como estava vivendo, mesmo tendo acesso à informação. “Faltava conhecimento sobre o ciclo da violência. Só quando reli a Lei Maria da Penha me enxerguei dentro dela. Por isso é tão importante falar, divulgar, explicar o que é esse ciclo”, acrescentou.

O namoro terminou em 2017. Daniella contou com o apoio das amigas, da família e de sua psicóloga. A parlamentar contou que decidiu se entregar ao trabalho e sua vida mudou completamente.

“Perdi 12 kg no primeiro ano. Só tomava café e água, mergulhei no trabalho. Foi como uma libertação, mas a libertação sem tratamento também cobra seu preço. Comecei a me tratar de verdade em 2023. Queria deixar tudo para trás, esquecer aquele mundo”, completou.


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