Cenapop
FAMOSOS

Apresentador gay diz que já prepara o filho adotivo de 4 anos para lidar com o preconceito

"Todos os dias, quando abro o celular, tem uma notícia que me dá medo", disse o empresário

Benjamin Cano com o marido e o filho: preparação para o futuro
Benjamin Cano com o marido e o filho: preparação para o futuro - Foto: Reprodução / Laurence Guenoun

Redação Publicado em 24/06/2021, às 14h14

Ainda que a sociedade tenha evoluído na tolerância e no respeito às minorias, o preconceito ainda existe e é utopia acreditar que o racismo, LGBTfobia e outras formas de discriminação deixarão de existir nos próximos anos. 

Pensando nisso, o apresentador, empresário e influenciador Benjamin Cano já está preparando seu filho adotivo, Vinícius, de 4 anos, para lidar com essa triste realidade. 

"Ele tem questões para serem trabalhadas desde pequeno, como ser adotado, ser preto e ter dois pais. Estamos conversando bastante com ele e desde sempre, de forma adaptada, óbvio, com livros e desenhos, para explicar que existem vários tipos de famílias e que todos têm os mesmos direitos porque a base é o amor e o respeito. Pode ser pai e mãe, dois pais, duas mães, somente uma mãe, somente um pai só”, afirma.

“Todos os dias, quando abro o celular, tem uma notícia que me dá medo em relação a ele. Minha preocupação é dar as ferramentas para que ele possa andar no mundo sozinho lá na frente com essas diferenças: respeito, amor, tolerância. Se eu conseguir isso, já ganhei uma pequena batalha contra a homofobia, racismo e outros", argumenta.

Mas Benjamin diz que não sofre preconceito, nem atrai olhares maldosos quando está na rua junto com seu filho e o marido. 

"Pelo contrário. Recentemente, fomos passar um final de semana em Búzios e estávamos andando na orla Bardot. Vinicius no meio de mãos dadas comigo e Louis. Ninguém poderia duvidar de que éramos uma família e encontramos apenas olhares simpáticos. Até casais pararam a gente para falar: 'Parabéns, é muito lindo o que você fez. Me emocionei muito’”, conta. 

O apresentador, que comandou um reality show na França, entende que ser um empresário bem-sucedido o deixa em uma posição privilegiada, mas não impede que ele venha a sofrer com o preconceito. 

Infelizmente, ter dinheiro ou não está longe de ser um padrão para não receber ataques preconceituosos. Porém, sim, provavelmente ser mais ‘favorecido’ deve ajudar em ter uma atmosfera mais respeitosa. Acredito que a chave mestra de tudo isso seja o respeito, e o respeito se transmite na educação, não com o dinheiro. Existe nesse mundo, mesmo em 2021, pessoas com dinheiro, mas sem educação.  Pronto, falei.

Recentemente, o empresário entendeu a importância de militar contra o preconceito e por causas sociais. Mas ele enxerga que é importante falar não apenas sobre LGBTfobia, mas de temas otimistas e mensagens positivas. 

"Acho legal sempre falar coisas positivas porque, para mim, positivo atrai positivo. Então, vamos começar a mudar a mentalidade. Mas óbvio que temos que continuar a nos posicionarmos. Pela primeira vez, esse ano, achei importante militar. Está sendo bacana ver todos esses logotipos de empresas e pessoas físicas, gay ou não, com o símbolo do arco-íris", conclui. 

Vinícius, o primeiro filho do casal, foi abandonado pela mãe biológica no hospital
Juntos há mais de 20 anos, Benjamin Cano Planès e Louis Planès são franceses de Toulouse e decidiram se mudar para o Brasil há quase 10 anos para iniciar um novo empreendimento. Administraram um hotel-boutique em Ipanema por sete anos e hoje, além de casados, são sócios no ramo imobiliário. 

Em meio ao trabalho, decidiram adotar uma criança e entraram com a habilitação na Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro. Durante um ano, participaram de encontros com psicólogos e assistentes sociais para obter um estudo da condição familiar. 

Depois de aprovados, aguardaram dois anos com imensa expectativa, acompanhando de perto o processo junto à Vara da Infância e da Juventude para saber se havia uma criança disponível para o casal. 

Até que em um dia receberam a aguardada ligação de uma juíza carioca, informando que uma colega, também juíza, de Ilhéus, Bahia, estava com um caso de um recém-nascido prematuro de cinco meses, sem pretendentes. 

O pequeno Vinícius havia nascido na rua com apenas 900 gramas. Foi reanimado na ambulância do SAMU e abandonado no hospital. A mãe biológica não chegou a ficar nem três horas com o bebê.Imediatamente o casal se interessou e foram até a Bahia. Ali começou a conexão do casal com Vinicius.

O bebê, já com dois meses e meio de vida, teve alta da UTI um dia após a ligação da juíza e os novos pais foram buscá-lo na maternidade. Era dia 11 de maio de 2017. Naquela época, a nova família teve de permanecer na Bahia por três semanas, pois Vinicius estava tão magro que a pediatra não autorizou a viagem de avião para o Rio.

Foto: Reprodução / Laurence Guenoun

 

 

 

Comentários