EDUARDO GRABOSKI

O reencontro do Kid Abelha faz parecer que o tempo parou

Kid Abelha
Kid Abelha - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 29/06/2026, às 11h11

Quem foi ao show do Kid Abelha em São Paulo esperando apenas um mergulho na nostalgia saiu com outra sensação: a de que a banda nunca foi embora. Reencontros costumam ser perigosos. Muitas vezes, a memória é melhor que a realidade. A expectativa pesa, a voz muda, a energia diminui e sobra apenas o carinho do público para sustentar.

Com o Kid Abelha aconteceu exatamente o contrário. Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato subiram ao palco como se o relógio tivesse simplesmente parado. A mesma sintonia. A mesma elegância. A mesma segurança. A mesma entrega. Uma turnê inesquecível.

Não se viu aquele clima de ‘vamos celebrar o passado’. O passado estava ali, claro. Mas parecia vivo. “Como Eu Quero”, “Lágrimas e Chuva”, “Eu Tive um Sonho”, “Fixação”, “Pintura Íntima” e tantos outros sucessos transformaram o Nubank Parque em um enorme karaokê. Bastava Paula Toller apontar o microfone para a plateia, e o público fazia o resto.

Paula Toller - Foto: Divulgação
Paula Toller - Foto: Divulgação

Talvez a maior surpresa da noite seja justamente essa. Não porque a banda precisasse provar alguma coisa. O Kid Abelha sempre entregou tudo: repertório, identidade, afinação, letras, harmonia e autenticidade. A surpresa foi perceber que nada disso ficou pelo caminho durante todos esses anos. Nada envelheceu.

Em um momento em que tantas turnês de reencontro vivem quase exclusivamente da memória afetiva, Kid Abelha entrega um show que se sustenta no presente. Não é emocionante apenas porque lembra uma época. É emocionante porque a performance continua sendo incrível. Até aqui, irretocável. A melhor turnê de reencontros.

George Israel, compositor e saxofonista do Kid Abelha - Foto: Divulgação
George Israel, compositor e saxofonista do Kid Abelha - Foto: Divulgação

Saí do Nubank Parque com a impressão de que o Kid Abelha não parece uma banda que voltou aos palcos. Parece uma banda que apenas apertou o botão de pausa e resolveu continuar de onde havia parado. Com a mesma força de antes, com a mesma entrega, afeto e sinceridade no palco.

E talvez esse seja o maior elogio que um reencontro possa receber. Kid Abelha não voltou para viver da nostalgia. Voltou para lembrar que clássico não tem prazo de validade e continua sempre vivo.

Bruno Fortunato, guitarrista do Kid Abelha - Foto: Divulgação
Bruno Fortunato, guitarrista do Kid Abelha - Foto: Divulgação