
por Eduardo Graboski
Publicado em 18/09/2026, às 03h36
Chegou a hora de o Brasil aprender uma das lições mais importantes para quem assiste a reality: você não precisa gostar de alguém para querer essa pessoa no programa.
Darlin Ferrattry, a mãe da Lexa, é o exemplo perfeito. Ela é forçada em vários momentos. Reclama demais, estica assuntos que poderiam morrer em três minutos, faz drama, é irritante e, às vezes, bem chatinha.
Ou seja: Darlin precisa ficar.
A Fazenda não foi criada para reunir 22 pessoas agradáveis tomando café, lavando louça e perguntando educadamente quem vai cuidar da vaca no dia seguinte. Reality precisa de atrito, daquele participante que transforma uma besteira em questão de Estado.
E Darlin encontrou em Giovanna Gold exatamente o combustível de que precisava. O que começou com água no rosto já virou troca de acusações, provocação, sujeira durante faxina, discussão aos gritos e até acusação de agressão.
Em poucos dias, as duas construíram uma antipatia que não exige roteiro, dinâmica mirabolante ou plaquinha da produção. Uma olha para a outra e a confusão parece surgir por geração espontânea.
Obrigado. Porque A Fazenda 18 ainda procura sua grande história. Em outras temporadas, isso aconteceu muito rápido. Na edição 16, por exemplo, no quarto dia Zé Love e Sacha Bali já estavam no embate. Pouco depois, aquela antipatia ajudaria a organizar a narrativa da casa, dividir grupos e criar lados para o público.
É disso que um reality precisa no começo: conflito que puxa conflito. Não significa que Darlin esteja certa. Muito menos que Giovanna esteja. Aliás, essa é justamente a graça. O público brasileiro desenvolveu o estranho hábito de querer eliminar imediatamente qualquer pessoa que incomode. Se é chata, tira. Se provoca, tira. Se grita, tira. Se arruma confusão, tira.
Depois, algumas semanas mais tarde, as mesmas pessoas entram nas redes para reclamar que a temporada está parada. É como expulsar todos os bêbados da festa e depois reclamar que ninguém subiu na mesa.
Darlin pode ser exagerada, dramática e cansativa. Giovanna pode provocar, debochar e cutucar exatamente onde sabe que vai irritar. Separadas, talvez nem rendessem tanto. Juntas, descobriram uma pequena usina de entretenimento. Então deixem as duas. Pelo bem do entretenimento caótico.
A Fazenda ainda está começando. E, até agora, falta aquela coisa de que uma discussão boba pode incendiar a casa inteira. Darlin e Giovanna finalmente apresentaram essa ideia. Reality não é concurso de melhor colega de apartamento. Às vezes, a pessoa que mais irrita você é exatamente aquele que o programa mais precisa. Pelo menos enquanto houver louça para lavar, água para espirrar e paciência para perder.
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