EDUARDO GRABOSKI » A FAZENDA 18

Análise: Falta conflito, sobra convivência – cadê o caos da Fazenda?

Mônica Fonseca e Ana Bruna até engataram uma briga, mas não uma narrativa de conflito
Mônica Fonseca e Ana Bruna até engataram uma briga, mas não uma narrativa de conflito - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 28/09/2026, às 08h16

O reality “A Fazenda 18” enfrenta um problema curioso: tem gente suficiente para dar confusão, mas ninguém parece muito interessado em criar intriga e conflito. Nos últimos dias, o programa entrou naquele estágio perigoso em que todo mundo conversa muito, analisa muito, explica muito e faz pouco, bem pouco, aliás.

Falta embate, sobra convivência. Darlin Ferrattry, a mãe da Lexa, e Giovanna Gold ainda sustentam algum atrito, mas até essa história perdeu força. A briga vai, volta, esfria e termina em mais conversa de comadre. E conversa demais nunca salva reality show.

O que faz esse tipo de programa andar não é simplesmente alguém não gostar de alguém. É o que vem depois. Uma briga precisa mudar voto, romper grupo, criar lado, produzir vingança. Precisa deixar alguma sujeira no caminho. Quando todo conflito termina resolvido na casa da árvore, é ótimo para a saúde emocional dos participantes. Para a televisão, nem tanto.



A própria Adriane Galisteu já precisou dar uma cutucada nos peões e lembrar que existe um jogo acontecendo. Não deixa de ser um sinal. A comparação com a temporada passada também pesa. “A Fazenda 17” teve uma dinâmica rara, e Dudu Camargo ajudou muito nisso porque entendia televisão.

Dudu sabia aparecer, provocar, criar assunto e perceber o que poderia render. Não era apenas um participante vivendo o reality, era alguém que entendia que aquilo precisava virar programa. Nessa edição, ainda falta esse personagem. Eu acredito muito na Mônica Fonseca. Ela conhece televisão e entretenimento, tem repertório. Agora precisa usar isso lá dentro.

Porque A Fazenda 18 tem elenco, tem personalidade, tem gente com potencial para se estranhar e tem uma energia caótica. O que ainda não tem é uma história forte. E agora é hora de a produção ajudar um pouco. Se ninguém quer comprar briga espontaneamente, que venha uma dinâmica que obrigue a escolher lado, apontar desafeto, expor contradição e, principalmente, deixar consequência.

Perguntar quem é falso já virou quase atividade recreativa de reality. Tem que custar alguma coisa. A Fazenda não precisa virar um ringue permanente, mas precisa de tensão, de embate, de treta, barraco e confusão. Hoje, falta conflito e sobra convivência, aquele papo furado em cada canto da sede.

E, para um programa que literalmente tem feno no cenário, está faltando justamente fogo. Que essa semana seja de surpresas, embates e mais movimento no jogo. Caso contrário, a falta de polêmica lá dentro será assunto recorrente aqui fora.


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