
por Eduardo Graboski
Publicado em 16/09/2026, às 09h00
O elenco de A Fazenda 18 pode até ter menos fama, mas tem algo muito mais importante para o programa: fome. São pessoas que precisam mudar de vida, recuperar espaço, limpar a barra, renovar a imagem ou voltar a ser assunto. Gente que olha para o prêmio de R$ 2 milhões e não enxerga apenas um número, mas a chance de recomeço.
E quem precisa recomeçar não entra em reality para cuidar da carreira. Entra para jogar. Quem não tem nada a perder vai para o embate, disputa prova como se valesse a escritura da casa e compra briga por arroz, leite condensado ou qualquer outra questão diplomática surgida na pia da cozinha.
É disso que vive A Fazenda. Não adianta colocar 22 pessoas famosas demais, bem resolvidas demais e preocupadas demais com contratos publicitários pós-reality. Isso não rende. Como se a fama fosse termômetro para o entretenimento que a gente gosta. Não é!
A edição passada já ajudou a comprovar essa fórmula: menos fama e mais disposição. Quando o participante ainda precisa provar alguma coisa, ele se entrega. É isso que gera conflito, movimento, briga e audiência. Nesse sentido, o novo elenco é fascinante.
Há ex-BBB, ator de Malhação, estrela de Chiquititas, mãe de cantora, artista tentando recuperar espaço e gente que já viveu fama suficiente para saber exatamente o tamanho da falta que ela faz. Talvez o público não reconheça todos imediatamente. Melhor ainda. Teremos o prazer, ou o trauma, de conhecer um a um, em doses homeopáticas.
Só faz falta um nome de impacto. Na temporada passada, Gaby Spanic, a Usurpadora, cumpria esse papel. Era o tipo de contratação que dispensava apresentação e atravessava gerações. Faltou alguém pop, mais conhecido do grande público.
Minha expectativa estava em Gilberto Barros. O Leão seria uma presença ilustre e potencialmente caótica, com experiência, personalidade e aquela energia de quem poderia transformar a divisão das tarefas dos animais em caos nacional. Infelizmente, ficou apenas na especulação.
Mas tudo bem. Um grande nome ajuda a vender a estreia, mas não sustenta três meses de programa. Quem sustenta reality é gente disposta a se comprometer com o próprio descontrole. E isso A Fazenda 18 tem de sobra.
As novas dinâmicas podem dar o tempero necessário. A chegada dos quatro “visitantes” já cria instabilidade. Agora cabe a Adriane Galisteu conduzir essa tropa. Ela já entendeu que apresentar A Fazenda não é apenas anunciar prova e pedir voto. É saber quando controlar o incêndio e quando permitir que ele ilumine o programa.
Minha aposta é que teremos mais conflitos, mais foco na grana e menos romances do que na temporada passada. Pode faltar fama, não falta necessidade. E poucas coisas movimentam mais um reality do que gente que entrou ali sabendo que precisa sair diferente.
A Fazenda 18 não reuniu as maiores celebridades do país. Isso é fato. Mas reuniu algo melhor: pessoas que ainda precisam se tornar alguma coisa. E elas parecem dispostas a fazer isso, custe o que custar, diante das câmeras. É isso que queremos!
COLUNISTAS
Faustino Júnior | Nerd de Negócio
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