EDUARDO GRABOSKI » A FAZENDA 18

Ainda dá tempo de salvar A Fazenda. E a solução é uma roça falsa

Adriane Galisteu chama atenção de Serginho Hondjakoff, mas expulsão não é anunciada
Adriane Galisteu chama atenção de Serginho Hondjakoff, mas expulsão não é anunciada - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 30/09/2026, às 10h15

A Fazenda 18 precisa de uma roça falsa. E precisa dela agora. A dinâmica é simples: o público saberia desde o início que ninguém seria eliminado e escolheria quem deveria deixar a sede de mentira. E, claro, Serginho Hondjakoff estaria entre os roceiros, já que se tornou perseguido.

O público poderia mandá-lo para fora. Os peões comemorariam, fariam suas contas, confirmariam suas teorias e reorganizariam o jogo. Depois, Cabeção voltaria. Não precisa nem inventar quarto secreto com  televisão, champanhe e cinco poderes diferentes. O principal seria ver a reação da sede.

Serginho virou o centro da temporada depois de ser acusado por Ana Bruna de assédio sexual. Ele negou. Na noite de terça-feira, a Record mostrou as imagens e informou que analisou o caso. A conclusão da produção foi de que não havia motivo para expulsão.



Isso muda o jogo. Ou deveria mudar. Dentro da sede, porém, eles não têm todas as informações que o público recebeu. O assunto ganhou tamanho suficiente para praticamente engolir o restante do programa. Murilo chegou a dizer que, se Serginho voltasse de uma roça, o jogo estaria “acabado”. Então acabem com essa certeza.

Reality show precisa de dúvida. Precisa fazer jogador perceber que talvez tenha entendido tudo errado. Uma falsa eliminação de Serginho faria exatamente isso. Não apagaria o desconforto relatado por Ana Bruna, que deve ser respeitado. Também não transformaria Serginho automaticamente em santo da edição. Transformaria novamente A Fazenda em jogo.

Com isso, é possível quebrar a narrativa do assédio e fazer com que todos abram os olhos para outros embates, conflitos e outras pautas. Esse plot twist é o que vai tornar essa edição menos previsível.

Porque existe outro risco começando a aparecer: repetir A Fazenda 16. Naquela edição, Sacha Bali passou boa parte no centro dos ataques. Quanto mais virou alvo, mais a narrativa de perseguição ganhou espaço. No final, ele venceu o programa com folga.

A Fazenda 18 não precisa passar três meses contando a mesma história com outro ator, isso é insuportável. Serginho já voltou de uma roça, já virou alvo e agora virou protagonista de uma das maiores discussões da temporada.

Se todos continuarem batendo nele, o roteiro fica fácil demais. A graça do reality está justamente em bagunçar essas certezas. Tirem Serginho, deixem a casa comemorar e depois coloquem o Cabeção de volta. Aquele retorno triunfal. Ainda dá tempo de salvar A Fazenda e mudar a narrativa. Às vezes, para mexer no jogo, basta uma eliminação que nunca aconteceu.


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