PADRÃO DR. LÚCIO ROMÃO

Beleza “instagramável” x beleza real: dá para ficar igual às famosas?

Mulheres usam como referência a lipo de Virginia Fonseca; médico fala sobre a cirurgia

Dr. Lúcio Romão diz que mulheres se inspiram em Virginia Fonseca e perguntam sobre a lipo dela
Dr. Lúcio Romão diz que mulheres se inspiram em Virginia Fonseca e perguntam sobre a lipo dela

Redação Publicado em 09/03/2026, às 15h50

Você já reparou como, no Instagram, todo mundo parece ter a mesma pele, o mesmo nariz, a mesma mandíbula, talvez o mesmo abdômen e a mesma “luz interna” de quem acordou 6h, tomou água com limão e resolveu a vida antes do café? Pois é.

A internet tem um superpoder: ela deixa a beleza editável. E isso muda tudo, inclusive o jeito que a gente olha para o próprio rosto e corpo no espelho. A pergunta que mais aparece (com jeitinho ou sem nenhum) é: “Doutor, dá pra eu ficar igual a fulana?”.

E aí vem a resposta que ninguém quer, mas todo mundo precisa ouvir: igual, igual… não. Não porque a medicina “não faz milagre”. Mas porque, na maioria das vezes, o “igual” nem existe. O filtro ou a outra pessoa é uma forma que não está no mundo real.

Filtro, por exemplo, não só “melhora”. Ele troca a regra do jogo: afina onde não dá para afinar, aumenta onde não dá para aumentar, apaga textura, ajeita simetria, muda iluminação, muda proporção. E faz isso em segundos, sem edema, sem recuperação, sem cicatriz, sem realidade.

Só que o seu rosto… é um rosto. E seu corpo, nem se fala. Com poros, expressões, assimetrias, história, genética e, principalmente, movimento. O filtro, por exemplo, é estático. Você é viva.

“Ok, mas e as famosas?” Aí entra outro detalhe: a gente compara o nosso “eu de segunda-feira, 7h40, sem filtro” com a foto “de capa”, feita com: luz certa, ângulo pensado, maquiagem impecável, edição de milhões e, às vezes, até um “modo retrato” que já dá aquela enganada honesta.

Ou seja: não é só sobre procedimento. É sobre produção. E não tem nada de errado com isso, desde que a gente não transforme esse padrão em obrigação. O que dá pra fazer de verdade? Respondo agora!  Dá pra fazer bastante coisa. Sim. Mas com um objetivo melhor do que “virar outra pessoa”.

O melhor pedido que existe no consultório não é “quero ficar igual a alguém”. É: “quero ficar melhor, sem deixar de parecer comigo”. E mais do que isso: mudar ou ajustar aquilo que te gera insegurança. Seja uma gordurinha aqui, uma dobrinha ali, uma cicatriz indesejada, uma falta de harmonia.

Aí a conversa muda completamente. Porque entra o que realmente importa: proporção (o que combina com seu corpo naturalmente), harmonia (o conjunto, não só uma parte), naturalidade (o famoso “não sei o que você fez, mas você está ótima”), e segurança (porque estética sem segurança é cilada).

Não dá para cair na armadilha do “todo mundo igual”. Sabe aquele efeito de “gente parecida”? Ele acontece quando a referência é sempre a mesma: o mesmo filtro, o mesmo rosto padrão, a mesma tendência do momento, a mesma famosa. E tendência é um problema, porque tendência passa, e você fica. Ainda mais na cirurgia plástica.

Seu rosto não é um look que você troca na próxima coleção. Nem o seu corpo. Antes de querer copiar alguém, vale uma pergunta bem simples: “O que exatamente me incomoda quando eu me vejo sem filtro?” Mas sempre com um foco: você, não o algoritmo.

No fim, a grande verdade é: dá para melhorar muito sem virar outra pessoa. E isso, ironicamente, é o que mais fica bonito, no Instagram e na vida real.