PADRÃO DR. LÚCIO ROMÃO

A volta da mama elegante: menor, proporcional e com menos cara de silicone

A volta da mama elegante: menor, proporcional e com menos cara de silicone
A volta da mama elegante: menor, proporcional e com menos cara de silicone - Foto: Arquivo pessoal
Dr. Lúcio Romão

por Dr. Lúcio Romão

Publicado em 23/06/2026, às 16h35

Durante muito tempo, quando se falava em silicone, a primeira imagem que vinha à cabeça era a de seios grandes, marcados e quase sempre evidentes. Era a estética do “coloquei e quero que apareça”, estilo “panicat” ou das americanas. Para muitas mulheres, a cirurgia precisava ser notada. O volume era parte do desejo.

Mas esse comportamento vem mudando.

No consultório, é cada vez mais comum ouvir pacientes dizendo exatamente o contrário: “Doutor, eu quero melhorar, mas não quero parecer artificial. Quero colocar silicone, mas nada exagerado”. A busca deixou de ser apenas por tamanho e passou a ser por equilíbrio. A mulher quer se olhar no espelho, gostar do que vê, vestir melhor uma roupa, se sentir mais segura, mas sem perder a naturalidade.

É a volta da mama elegante.

E mama elegante não significa pequena. Significa proporcional. É aquela que combina com o corpo, com a altura, com o tórax, com o estilo de vida e até com a personalidade da paciente. Em alguns casos, pode envolver uma prótese menor. Em outros, pode envolver uma troca de prótese, uma mastopexia ou apenas uma correção de formato. O ponto principal não é o número em mililitros, mas o resultado final.



A estética exagerada perdeu força porque o próprio conceito de beleza mudou. O que antes era visto como símbolo de poder e sensualidade, hoje pode ser percebido como excesso. Às vezes até visto como vulgaridade. As mulheres não querem mais necessariamente um corpo que entre antes delas nos lugares. A maioria quer justamente o oposto: um resultado bonito, discreto e harmônico.

Também existe uma mudança importante na relação com a exposição. A paciente de hoje vive entre fotos, vídeos, reuniões, academia, praia e redes sociais. Ela quer se sentir bem em diferentes ambientes, não apenas em uma foto de biquíni. Quer usar decote quando quiser, mas também quer usar uma camisa social sem sentir que o corpo ficou desproporcional ou muito marcado.

Outro ponto é que muita gente passou a entender que cirurgia plástica boa não é aquela que grita. É aquela que respeita. Respeita o corpo, a estrutura, a fase da vida e o desejo real da paciente. O melhor resultado não é o que transforma alguém em outra pessoa, mas o que devolve conforto para quem já existia ali.

Isso não significa demonizar quem gosta de volume ou de um visual mais marcado. A cirurgia plástica não deve funcionar como uma moda imposta. Cada mulher tem seu gosto, sua história e sua relação com o próprio corpo. O problema começa quando o desejo vem de uma pressão externa, de comparação com influenciadoras ou de uma tentativa de copiar um corpo que não conversa com a própria anatomia.

É por isso que a conversa antes da cirurgia se tornou tão importante. Muitas vezes, a paciente chega pedindo um determinado tamanho, mas o que ela realmente quer é firmeza, colo bonito, simetria ou simplesmente voltar a se sentir bem depois da maternidade, do emagrecimento ou do passar dos anos.

A mama elegante nasce exatamente desse entendimento. Ela não é sobre diminuir sonhos. É sobre refinar escolhas. Não é sobre abrir mão da sensualidade. É sobre entender que sensualidade também está na proporção, na postura e na segurança de não precisar exagerar para ser notada.

A cirurgia plástica moderna caminha cada vez mais para esse lugar: menos padronização e mais individualidade. Menos “quero igual ao dela” e mais “quero algo que faça sentido em mim”. Esse é um avanço importante, porque beleza não deveria ser uma fantasia desconectada da realidade do corpo.

No fim, a melhor prótese não é a maior. Também não é a menor. É a que parece pertencer àquela mulher. E talvez esse seja o verdadeiro novo luxo da estética: fazer uma mudança que melhora, valoriza e eleva a autoestima, mas sem apagar a naturalidade.

A mama elegante voltou. E voltou para lembrar que, muitas vezes, o detalhe mais bonito de uma cirurgia é justamente ela não precisar se explicar.