Crítica: Democracia em Vertigem, filme da Netflix, tira o retrato definitivo de um país dividido

Crítica: Democracia em Vertigem, filme da Netflix, tira o retrato definitivo de um país dividido – Foto: Reprodução/Netflix

O filme Democracia em Vertigem, dirigido pela documentarista Petra Costa, consegue uma proeza até agora inalcançada: tirar uma fotografia exata do momento complicado em que o país se encontra.

Por mais que séries como O Mecanismo tentem mostrar a realidade da política nacional, nada se compara a uma narrativa protagonizada pelos próprios homens e mulheres que fazem parte dessa história. Dilma Rousseff, Lula, Bolsonaro… todos comparecem em imagens e entrevistas, dando suas opiniões sobre o complexo momento eleitoral que o Brasil atravessa desde, pelo menos, 2013.

É neste ano que o filme começa a mostrar os efeitos devastadores da guerra de (des)informação, que aliada as fases da Operação Lava Jato, prenderam nomes ilustres como o próprio ex-presidente Lula, ponto de corte da história contada no documentário. No entanto, toda essa narrativa é usada como um pano de fundo para algo muito mais pessoal.

No decorrer de Democracia em Vertigem, vemos a diretora Petra Costa narrando pontos de sua vida que se confundem com trechos da vida pública do Brasil. Desde a redemocratização, em 1984, até a prisão de Lula, em 2017, ela entrelaça sua trajetória como pessoa com esse background de um país que parecia dar certo, mas escondia uma profunda cisão – que só viu a luz do dia nas últimas eleições.

A delicadeza da narração de Petra gera um contraste com a virulência mostrada em imagens de apoiadores tanto da esquerda quanto da direita, ocupando as ruas com gritos de guerra. As imagens são impressionantes, tanto dessas manifestações quanto dos bastidores do poder. Também há a colaboração decisiva de Ricardo Stuckert, que foi o fotógrafo oficial dos governos petistas, que trouxe imagens inéditas da derrocada do partido e a ascensão da extrema-direita.

Com tudo isso, Democracia em Vertigem consegue tirar um retrato definitivo de um país dividido, cuja discórdia parece não ter fim, ao mesmo tempo em que conta a história de uma mulher em profundo desencanto com um Brasil que poderia ter sido e não foi.

Veja a crítica completa.

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