5 principais cuidados que você deve ter com cães e gatos idosos

Alonzo, de 14 anos, recebe os cuidados necessários para ter uma velhice tranquila – Foto: Reprodução/Facebook

Quem tem um cão ou um gato em casa sabe o quanto é uma delícia aproveitar da companhia deles.

Por muito tempo, ter um animal de estimação – seja ele qual for – foi uma opção para as crianças, que se divertiam com eles. Atualmente, um número cada vez maior de adultos procura adotar um bichinho para poder cuidar, e ter em troca todo o amor incondicional que eles podem oferecer.

Entretanto, uma coisa que pouca gente pensa quando adota um animal é o momento em que eles passam à terceira idade.

Os bichinhos envelhecem, assim como a gente. E de forma mais rápida. Um gato doméstico vive aproximadamente 16 anos. Já um cachorro pode atingir 18 anos. Essas médias podem variar dependendo da raça de cada um, e também das condições que são oferecidas a eles quando atingem a velhice.

Jeane Letícia de Oliveira, de 43 anos, cuida do cachorro Alonzo, de 14 anos, e da gata Menina, de 4 anos – Foto: Reprodução/Facebook

Jeane Letícia de Oliveira, de 43 anos, é dona de casa e mãe de um filho biológico, João Lucas, de 22 anos. No entanto, ela também é aquilo que se convém chamar de “mãe de pet”. Ela cuida de Alonzo, um cachorro da raça dachshund que neste ano vai completar 14 anos. Além dele, ela também é “mãe” da Menina, uma gata de 4 anos. Ela divide seus afazeres domésticos com os cuidados com seus animais, principalmente Alonzo, que já se encontra na terceira idade.

Jeane, que também é entusiasta do movimento dos direitos dos animais, falou com a gente e deu algumas dicas para cuidar de cães e gatos que já se encontram em idade avançada. Dá uma olhada:

Dica n° 1: Cuidados com a alimentação

Assim como acontece com os humanos quando vão chegando à terceira idade, nos cachorros e nos gatos a digestão vai se tornando mais lenta conforme se tornam mais velhos. É preciso apostar na alimentação saudável para os bichinhos, pois isso evita que eles tenham problemas estomacais que podem evoluir para um quadro grave. Dependendo da idade do animal, ele já pode estar sem alguns dos dentes – a queda deles é natural nessa fase da vida. Por conta disso, a melhor coisa é apostar em alimentos que sejam fáceis de digerir. Rações mais duras podem comprometer a digestão do cão ou do gato, além da dificuldade natural para mastigar.

Se o seu bichinho estiver acostumado com uma ração e não consegue passar para outra mais mole, a dica é esquentar um pouco de água, misturar na ração para que ela amoleça e aí então oferecer ao animal. Dessa forma, ele não precisa mudar a marca ou o tipo da ração com a qual ele está acostumado.

Entretanto, se ele já apresentar problemas com a comida – falta de apetite, por exemplo – procure um veterinário para observar se é necessário mudar a alimentação do bichinho.

Dica n° 2: Atenção redobrada

Zé morreu aos 7 anos, em 2017 – Foto: Reprodução/Instagram

Além dos dois animais de estimação que possui, Letícia também teve o , que faleceu em 2017 vítima de botulismo. Segundo ela, o cachorro costumava ficar fora de casa e voltar sempre para comer, dormir e descansar. Sendo um vira-lata, ele estava mais acostumado com a rua. Entretanto, estava também sujeito a comer qualquer coisa que encontrasse na rua, pois não havia o controle que se tem dentro de casa com a alimentação e os cuidados básicos de um animal. Ela afirma que, pelo fato do Zé ficar apenas nas imediações da casa da família, em Itapetininga (interior de São Paulo), achava que não haveria perigo.

Não foi o que aconteceu. Em 2017, Zé apareceu em casa sem conseguir abrir a boca nem mesmo para comer. Estava com fraqueza nas pernas e mal conseguia se manter de pé. Ao ser levado para o hospital veterinário, o diagnóstico foi dado: era botulismo, uma doença que pode contaminar o animal ao comer restos de carne apodrecidos. Apesar de todos os esforços dos veterinários para salvar a vida do cachorro – e também de toda a família de Letícia para cobrir os custos da internação – ele morreu quatro dias depois. Essa experiência traumática ensinou a ela uma lição valiosa: é preciso manter uma atenção redobrada a todo momento para que os animais possam manter-se saudáveis até a velhice.

Zé tinha 7 anos quando faleceu. Não chegou até a terceira idade. Mantendo os cuidados com os animais o tempo inteiro, evitando que eles saiam à rua sozinhos onde não há qualquer controle sobre exposição deles à doenças. E com os animais que já estão nessa idade mais avançada, os cuidados precisam ser ainda maiores: a saúde é mais frágil por natureza, e qualquer doença pode ser fatal – sem contar o risco de atropelamentos por conta da mobilidade mais baixa.

Dica n° 3: Exercícios são importantes

E falando em mobilidade, é bom salientar que os animais mais velhos não possuem a mesma energia que tinham quando jovens. É natural que eles durmam mais, mantenham-se deitados na maioria do tempo e não tenham mais vontade de brincar o tempo todo. É importante, portanto, que para evitar os problemas de articulações nos bichinhos, que eles possam se exercitar com regularidade.

Levá-los para passear pelo menos duas vezes por dia é essencial para mantê-lo em constante atividade. Cachorros e gatos podem ser acometidos por problemas de coluna e nas patas, que se tornam piores com o tempo. Isso pode acontecer justamente por conta da falta de movimentação, ou seja, de exercícios físicos para os pets. Se possível, é preciso estimular os animais a brincarem, correr na medida do possível, fazer brincadeiras com eles que os obrigue a se mexer. Isso vai ajudar a melhorar a mobilidade, e ajudar a evitar que problemas mais sérios nos ossos possam acontecer. Nessa idade, esse tipo de doença pode ser um grande problema.

Mas atenção: é importante respeitar os horários de sono do seu cachorro ou gato. Assim como os humanos idosos, eles gostam de descansar por mais tempo, pois não se sentem mais com tanta energia. Evite acordá-los para fazer exercícios. Respeite os horários biológicos deles.

Menina, a gata de 4 anos da família de Letícia – Foto: Reprodução/Facebook

Dica n°4: Leve ao veterinário com frequência

Mais uma vez, a comparação com os humanos idosos é pertinente. Tanto Alonzo quanto Menina vão ao veterinário com frequência, para fazer check-ups regulares e verificar a quantas anda a saúde deles. Principalmente Alonzo, que já está na idade em que os exames precisam ser mais frequentes, precisam passar pelo médico para prevenir alguns dos problemas mais comuns nos bichos nesta idade.

Por exemplo: a doença que mais acomete os animais velhinhos é o câncer. E, em geral, quando o mal é descoberto, é tarde demais. O bichinho está fraco demais para aguentar uma cirurgia ou um tratamento mais longo, e acaba não resistindo. Existem exceções, claro, mas num panorama geral, eles acabam falecendo por conta do desgaste que a doença causa em seus organismos. Por isso, levar a um veterinário para que ele possa fazer exames de rotina é essencial para descobrir problemas antes que eles possam afetar de verdade a vida do animal.

Além do mais, cuidados com a saúde nunca são demais. Um bichinho de estimação não é apenas um enfeite na casa de alguém – eles tem uma vida, necessidades e problemas que podem levá-los à morte. Por conta disso, é preciso dar a eles cuidados maiores à medida em que eles vão ficando mais velhos.

Dica n° 5: Nunca deixe de amar seu animalzinho

Já vimos essa história antes. O cachorro ou gato fica mais velho, o que faz com que seus donos literalmente os abandonem em ruas, estradas ou, com sorte, em uma instituição de cuidados dos animais. Os cães e gatos, que passaram a vida inteira dentro de casa convivendo com as mesmas pessoas, os consideram como família. Eles possuem sentimentos como qualquer outro ser vivo: sentem dor, sentem fome e sede, sentem saudade.

É importante, portanto, que você possa dar ao seu animalzinho todo o amor e carinho nessa época difícil para eles. Por eles não terem mais a disposição de antes, eles podem se tornar mais arredios, ficando mais afastados do convívio diário. Tanto cães quanto gatos, quando chegam a essa idade, preferem estar em um ambiente mais isolado, pois seus instintos naturais indicam a eles que, estando com menos agilidade, são “presas fáceis” na natureza. Então, isolar-se é um movimento natural por considerarem que podem correr algum tipo de perigo. É o instinto de sobrevivência falando mais alto.

Principalmente, eles precisam sentir que as pessoas à sua volta estão com eles nesses momentos complicados. Durante a entrevista, Letícia nos disse que em momento nenhum se separa de Alonzo; ela deixa de realizar algumas viagens ou frequentar certas festas para ficar ao lado do cachorro, que sente sua falta e chora quando ela não está por perto. Quando pode, deixa aos cuidados de algum familiar para que ela possa ter sua vida social ativa. Mas ela prefere ficar com ele, visto que a ligação entre os dois é de forte cumplicidade.

Sempre deixe muito claro o quanto você gosta de seu animal. Ele sente isso. Dê a ele todo o carinho e cuidado que ele merece nessa idade em que ele mesmo sente-se inferior, cansado demais. O amor é importante para que cães, gatos ou qualquer outros animas possam se sentir protegidos e queridos por aqueles que assumiram o compromisso de estar ao lado deles em todos os momentos.

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