Vocalista da banda Uó reclama de atitude transfóbica em aeroporto no Rio: “Fui tratada como uma criminosa”

Candy Mel reclama de atitude transfóbica no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro – Foto: Reprodução/ Instagram

Vocalista da banda Uó, Candy Mel usou sua página no Instagram, neste domingo (04/03), para desabafar e fazer o relado de uma situação constrangedora pela qual passou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

A cantora estava de voo marcado para Brasília, para fazer a última apresentação do grupo, e quase perdeu o voo após ser abordada por dois homens da equipe de segurança.

Na rede social, Mel explicou que foi levada para uma salinha para ser revistada depois que os homens perceberam que constava um nome masculino em seu documento:

“Eu estou detida aqui no aeroporto, porque dois caras queriam me revistar alegando que no meu documento constava [nome] masculino. Eles me coagiram, me levaram para uma sala com dois caras para fazer a revista em mim e eu não aceitei. E eu estou aqui, correndo o risco de perder o show de Brasília”, disse.

Candy Mel desabafou no Instagram após passar por constrangimento no aeroporto do Galeão – Foto: Reprodução/ Instagram

“Eles não vão tocar em mim, eu não vou cooperar. Eu estava jurando que era uma revista comum de bagagem e de repente eles trancaram a porta. Eles pediram para eu tirar a roupa. Eu só não fui mais coagida porque a equipe inteira estava aqui”, declarou.

Após chegar em Brasília, a artista voltou à rede social para explicar aos seguidores o que havia acontecido. Como ato de protesto, Mel disse que pediu para ser revistada diante do público:

“Oi pessoal, tudo bem? Boa noite… Eu estou aqui em Brasília já, a gente vai ter o nosso último show aqui… Eu não dei notícias antes, porque eu precisava descansar. Enfim, no final eu acabei sendo revistada, mas foi em público, eu queria que acontecesse na frente de todo mundo, para que vissem um homem tocando o corpo de uma mulher”, explicou Mel.

“A minha forma de protesto, antes dessa invasão, desse abuso, foi ficar sem camisa, com meus seios de fora. Isso sim, foi a minha forma de gritar”, desabafou a cantora.

“Rapidamente eles resolveram o ‘problema’, né? Eles queriam que fosse dentro de uma cabine, que ninguém tivesse visto aquela cena. Foi muito violento. Se aconteceu comigo, pode acontecer com qualquer outra. Eu fui tratada como uma criminosa, como alguém que não tinha direito de escolher o procedimento que fosse acontecer, como alguém sem direitos. E todo esse preconceito começa pelo fato de eles selecionarem a pessoa do nada, eles não estavam pedindo o documento de ninguém, eles pediram o meu”, disse.

“Eu estava sofrendo constrangimento por parte das pessoas que estavam trabalhando lá, fazendo gracinha lá com a minha cara, algumas mulheres ‘cis’ fazendo chacota. Marcando esse último show com um acontecimento muito, mas muito violento comigo, com meu corpo, com a minha vida, com a minha existência. Independente disso o show vai acontecer. Eu vou tomar as providências, vou resolver isso da melhor forma possível dentro da lei, fiquem em paz”, concluiu.

O desabafo de Candy Mel gerou o maior burburinho na rede social. O Deputado Jean Wyllys foi um dos famosos que citaram o acontecimento, e alertou que o caso aconteceu na semana em que o STF garantiu o direito de pessoas transgêneros a mudarem o sexo em seus documentos sem a necessidade de ter feito cirurgia.