Demissões de jornalistas em massa liga sinal vermelho na sociedade

Crédito: Shutterstock.com

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Uma crise específica vem assustando o mundo da comunicação. Não bastasse a ameaça continua de recessão que assola o país, mais de 250 jornalistas já foram demitidos dos principais veículos de comunicação do Brasil. As empresas alegam que precisam enxugar seus orçamentos para não quebrar definitivamente e se adaptar as novas regras do mercado.

Um dos ápices das sucessivas demissões que vem acontecendo nas redações de todo o país aconteceu na véspera do dia do jornalista, celebrado em 7 de abril. Para a ocasião deste ano, alguns profissionais do Grupo Estado não tiveram o que comemorar, pois foram demitidos. Até mesmo veículos online, de médio, ou pequeno porte estão sendo obrigados a fazer ajustes em suas contas para poder suportar a crise e a falta de incentivos.

Na época das demissões do Grupo Estado, integrantes do Estadão contaram que os cortes podem atingir mais de 100 postos de trabalho. Neste sábado, o Grupo Estado – que edita o diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo – confirmou uma nova onda de cortes de jornalistas. Desta vez, as demissões atingem os profissionais da Agência Estado (AE). Não apenas no Sudeste, mas nas demais regiões brasileiras têm havido cortes nas redações. Para justificar os cortes, os veículos alegam crise financeira, mas a questão vem deixando a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas de cabelo em pé.

Além das maciças demissões em São Paulo, o Rio de Janeiro também está vendo seus jornalistas e demais profissionais de comunicação serem destituídos de suas funções, ou conviverem com frequentes atrasos. Nem mesmo diários tradicionais como O Globo e O Dia escaparam da crise. O Dia promoveu, ao longo das últimas semanas, o corte de 40 profissionais de imprensa e encerrou a circulação de cadernos. No Paraná, os cortes atingiram 11 profissionais de imprensa da Gazeta do Povo.

A presidente do sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), informou que os salários dos funcionários de O Dia “estão em atraso há dois meses”: “O pagamento do plano de saúde também não estava sendo pago. A situação da categoria é dramática. Estamos vivenciando uma crise anunciada que se arrasta há dois anos em razão do monopólio da comunicação. O Sindicato denunciou recentemente a concorrência desleal à Organização dos Estados Americanos (OEA)”, disse Paula em entrevista ao Correio do Brasil.

Paula acredita que o atual modelo de negócio utilizado pelo setor de comunicação deve ser totalmente reformulado por conta da situação atual “O impacto nas relações de trabalho, cada vez mais precárias, é muito grande. Imprensa e sociedade perdem com o desmantelamento de uma estrutura destinada à informação relevante e imparcial. Precisamos aumentar a mobilização da nossa categoria para discutirmos novas formas de fazer jornalismo. Em relação a O Dia, o Sindicato está acompanhando o caso e tomando as medidas judiciais necessárias a garantia dos direitos trabalhistas”, acredita a jornalista. Uma alternativa para tentar superar a crise seria a busca de patrocínios no setor privado, mas como manter a imparcialidade de um veículo de comunicação. O fato é que além dos cortes de orçamentos, há uma total falta de respeito e consideração com profissionais, que muitas vezes arriscam suas honras, reputações e até mesmo a vida em nome de levar a precisa informação a sociedade. Obviamente que esta relação entre o patronal e a classe jornalística ainda terá muitos conflitos, mas é necessário que nesta peleja, se tenha em mente que é primordial o respeito aos profissionais e a manutenção da dignidade do exercício da função. Ao que tudo indica, esta crise atual não é só financeira, mas também moral.

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